terça-feira, 29 de abril de 2014

CE é o 2º estado com menos denúncias de violência contra a mulher


Estado registrou 240,2 denúncias por grupo de 100 mil mulheres em 2013 no Disque 180. Para especialistas, números são subnotificados

O Ceará foi o segundo estado do País a registrar o menor número de ligações por população feminina na Central de Atendimento à Mulher – Disque 180 em 2013. Ao todo, foram recebidas 10.401 chamadas – uma média de 240,2 ligações por grupo de 100 mil mulheres, taxa menor apenas do que a observada no estado do Amapá. O levantamento foi realizado pela Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM) do Governo Federal.



Para especialistas e profissionais da área, no entanto, o baixo número de denúncias esconde um cenário de violência muito mais amplo do que o apontado pelos dados do Governo Federal. “A gente acredita que existem mais mulheres vítimas de violência do que o número de denúncias. A realidade indicaria um número muito maior”, afirma a assessora de Enfrentamento à Violência da Coordenadoria Especial de Políticas para as Mulheres, Helena Campelo. Segundo Helena, os números sobre a violência contra a mulher ainda são reflexo de uma grande quantidade de casos subnotificados.


“É difícil de acreditar que não estejam havendo denúncias porque não estão havendo ocorrências”, afirma a pesquisadora do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (LEV/UFC), Jânia Perla. A pesquisadora atribui a subnotificação a baixos indicadores sociais, à cultura machista vigente em estados como o Ceará e aos vínculos emocionais entre vítima e agressor. “Nesse caso, a subnotificação não é em decorrência de não acreditar na polícia. Tem a ver com dimensões sociais do cotidiano e um contexto em que a mulher teme a ruptura de laços familiares”, aponta.


Segundo a defensora pública do Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (Nudem), Elizabeth Chagas, o número de denúncias funciona apenas como uma “amostragem” da real situação de vulnerabilidade da mulher. “Os números que temos são sub-registros. Existe todo um ciclo de violência que é difícil de ser quebrado por conta de constrangimentos e ameaças”, relata.


Denúncias presenciais

Apesar de reconhecerem a importância do Disque 180 no enfrentamento à violência contra a mulher, as especialistas ouvidas pelo O POVO reforçam a necessidade da denúncia presencial. “A gente orienta a ida à delegacia porque é lá que a mulher pode solicitar as medidas protetivas” explica a assessora da Prefeitura, Helena Campelo. “A denúncia é um momento de sofrimento. É importante que exista uma interação face a face”, completa a pesquisadora Jânia Perla.


O POVO tentou falar com a coordenadora especial de políticas para mulheres do Governo do Ceará, Mônica Barroso, mas foi informado pela assessoria da defensora pública de que ela passou por procedimento cirúrgico recentemente e estava impossibilitada de conceder entrevistas. A titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza também foi procurada, mas, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, a delegada estava em reunião e não poderia atender ligações.
10.401 ligações foram recebidas pelo Disque 180 no Ceará em 2013




Fonte: Jornal Opovo

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