sexta-feira, 17 de março de 2017

Aniversário de Fortim - Programação de Atividades Esportivas.


SÁBADO - 25 de Março.


CORRIDA DE RUA - Concentração na praça do Pontal de Maceió - 7:00hs. 

CICLISMO - Concentração na praça do Pontal de Maceió - 8:00hs.

FUTEBOL FEMININO - Evento realizado no Canto da Barra - 8:00hs.

FUTEVÔLEI - Evento realizado no Canto da Barra - 9:00hs.




DOMINGO - 26 de Março.


FUTEBOL MASCULINO - Evento realizado no Canto da Barra - 8:00hs.

FESTIVAL DA PESCARIA - Concentração na Barraca Zé de Dodô - 10:00hs.

TRAVESSIA DO RIO - Concentração na Barraca Zé de Dodô - 10:00hs.

ATENÇÃO: TODAS AS MODALIDADES SERÃO PREMIADAS COM TROFÉU, MEDALHA E QUANTIA EM DINHEIRO. PARA MAIS INFORMAÇÕES PROCURAR O DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE ESPORTES.



Fonte: https://www.facebook.com/GOVERNODEFORTIM/?hc_ref=NEWSFEED

quinta-feira, 16 de março de 2017

Beberibe: O paraíso do kitesurf


É chegada a hora de sair de Aquiraz e seguir rumo a Uruaú, Beberibe. Lá, o céu, além do azul, é composto pelas várias cores de pipas. Não aquelas de papel de seda, mas de um material resistente, tipo para-quedas, forte o bastante para suspender uma pessoa apenas com a força dos ventos.



“O Ceará, no mundo do kitesurf, é um paraíso. É o melhor lugar para praticar o esporte, porque tem mais de 500 km de costa, ventos constantes – de julho a fevereiro – e a água do mar é quente, com temperatura sempre agradável. Então, todos querem fazer kite aqui”.

A afirmação é de Gigi Romano, italiano apaixonado pelo kitesurf que largou tudo para viver do esporte. “Trabalhava, na Itália, com outro negócio. Um bar. Conheci o kitesurf nas Ilhas Canárias. Vendi meu bar, voltei pra lá e montei uma escola de atividades. Em 2007, vim pra cá. Na época, não tinha muito praticante, mas agora vem turista o ano todo”.

Agosto e dezembro é a temporada dos italianos, por conta das férias. Já setembro, outubro e novembro há uma maior variação entre os turistas: “vem gente da Suíça, Alemanha, França. Até Noruega! Alguns americanos e também o turista brasileiro, do sul. Já o cearense vem aqui sempre, no fim de semana”.

Gigi conta que o que mais gosta em Uruaú é “da tranquilidade da natureza e da segurança do lugar, que é diferente das cidades grandes”. Ele administra e organiza a ProKiteBrasil, lojinha e escola de kitesurf. Devido ao ritmo sossegado de trabalho, dá até pra separar uma ou duas horas por dia para velejar. O que mais se poderia querer da vida?

Serviço

ProKiteBrasil
Rua da Praia, 1 – Uruaù
prokitebrasil.com
info@prokitebrasil.com



Aquiraz: “Sou uma índia apaixonada / Apaixonada por minha terra”




São com esses versos que Maria de Lourdes da Conceição Alves, mais conhecida como Cacique Pequena, prende a atenção de quem passa para conhecer a aldeia da tribo Jenipapo-Kanindé, nos arredores da Lagoa da Encantada. “Nós somos filhos nativos da terra. A sétima geração! E tenho muito orgulho de ter essa herança dos meus pais”.

Pequena é a primeira cacique mulher do Ceará. Virou cacique porque, desde muito cedo, começou a lutar pela causa indígena. “Antigamente, a gente não era reconhecido como índio, mas como ‘os cabeludim da Encantada’. Comecei essa luta, na década de 1980, para que os índios defendessem eles mesmos. Porque eles dormiam no tempo. Foi aí que levantei a bandeira e disse que ia trabalhar por esse povo”.

Onze anos depois vieram os pedidos para que ela assumisse o cacicado que, à priori, foi recusado. “Não sabia o que era ser cacique. Eu era uma simples mãe. Eles insistiram muito e aceitei. E hoje, com a força do pai Tupã e da mãe Tamaí, cheguei onde cheguei”.

A mais de duas décadas à frente da tribo, Pequena fala com segurança o papel de uma cacique: “é ser como um prefeito, um governante da tribo. É juntar de fora para dentro da aldeia, pra ajudar o povo. Foi o que fiz”.





Não é à toa que hoje tem Escola Indígena, Museu Indígena, Pousada Indígena, Cras Indígena (Centro de Referência da Assistência Social) e Posto de Saúde Indígena. “Energia e água nas casas, casa de farinha, galpão e cantina. Tudo isso através dessa mulher que tá aqui na sua frente e na desse povo todo. Eu era uma simples cacique e agora sou Guardiã da Memória, Mestre da Cultura e vou receber o meu certificado de Doutora da Mata”.



Aquiraz: Para divulgar a Prainha


Falou em Aquiraz, lembrou de Beach Park. Mas a primeira capital do Siará Grande guarda muito mais histórias do que um parque aquático consegue abarcar. Ali, bem do lado do Porto das Dunas, estão a Praia do Japão e a Prainha. E, bem no meio, a Barraca Cozinha da Danny, canto bom pra dar uma parada, comer algum fruto do mar e se preparar para um dos tradicionais passeios de buggy.


Quem atende os aventureiros de areia é a Alba, do Alba Turismo Buggy Tur, mas quem leva pra passear são os bugueiros, como Regivaldo Sousa. “Sempre trabalhei aqui na praia. Primeiro de garçom, vigia, guia e, agora, depois da regulamentação da prefeitura, como bugueiro”.

A profissão é a considerada de melhor renda da localidade. “Sem contar que é um trabalho bonito, porque a gente trabalha e se diverte ao mesmo tempo, pelo contato com as pessoas e com a natureza. E divulga a Prainha! Trazemos o pessoal pro passeio de buggy e eles consomem em praticamente todas as áreas: com as rendeiras, restaurantes, jangada. Então, nós ajudamos todas as classes”.

E do que o Regivaldo mais gosta na profissão? “Contar a história daqui e fazer o passeio. Ah! E bater foto! A gente faz um monte de montagem bacana”. Todos os bugueiros brincam de composição fotográfica. Assim surgem cocos e caranguejos gigantes e pessoas em miniaturas. É o “photoshop natural”, como eles dizem. “É legal também quando vem o turista e ensina novos tipos de fotos pra gente”.

No tec-tec do bilro





É também em Aquiraz onde se encontra o Centro das Rendeiras. Por enquanto, o local está em manutenção, mas como brasileiro pra tudo dá um jeitinho, foi improvisado um lugar para a abrigar as artesãs da renda de bilro e labirinto.

Junto do vaqueiro e do jangadeiro, a rendeira é uma das figuras mais tradicionais da cultura cearense. Munidos de sua almofada, linhas e espinhos de mandacaru, os bilros vão dançando de mão em mão, ao som do tec-tec, enquanto formam os mais incríveis desenhos em roupas, bolsas e toalhas.

Dona Maria Caetana da Cunha é uma delas. Com 66 anos, faz renda desde os 10, idade em que aprendeu o ofício com a mãe. De todos os trabalhos, prefere fazer as toalhinhas de mesa, seja ela branca ou colorida. “Gosto muito de cor. Agora tô fazendo uma linda, azul”.

O trabalho é demorado, mas é o que ela gosta de fazer. “Pena é que as meninas não querem mais aprender”. Mas dona Maria não se abate e diz que, enquanto der, e a “vista aguentar” vai continuar fazendo renda. E reproduzir o tec-tec da música artesanal.



11 coisas que só quem é de Aracati vai entender


Aracati, em Tupi Guarani, quer dizer “terra dos bons ventos”. E isso se aprende logo que um aracatiense se entende por gente. Por isso quando alguém coloca a cadeira na calçada lá em Jaguaribe, por exemplo, certeza que está esperando o vento Aracati. Isso dá um certo orgulho, sabe?! Aliás, esse pedaço de chão espremido entre rio e mar, já se chamou Cruz das Almas; Arraial de São José dos Barcos do Porto dos Barcos do Jaguaribe, Santa Cruz de Aracati e, desde 1842, Aracati.
1 – Picolé Zé de Sofia

Na verdade, o nome da sorveteria é Sucesso, mas como tudo e todos por lá são conhecidos pelos pais… Mero detalhe, porque o que faz a diferença é o sabor de picolé. Pensar que é um picolé como outro qualquer é heresia.

2 – Suco de Tamarindo de ‘Seu Ponciano’

É quase um patrimônio cultural aracatiense. A fórmula pertence à família e é irrevelável. Como você não vai mesmo saber fazer em casa, aproveita e vai lá na Casa Ponciano, que é uma volta ao passado. Ahh…. não aceita cartão de débito, mas tem a caderneta.

3 – Sanduíche de Xicão

Depois do picolé de Zé de Sofia, de experimentar o suco de tamarino dos Ponciano, você precisa comer o sanduíche de Xicão. Não necessariamente nesta ordem. Xicão é um visionário. Muito, mas muito antes do boom dos food truck, ele já fazia sucesso com o seu carrinho no beco do museu (rua Barão de Messejana). O sanduíche é ótimo e o papo também. Se Xicão não souber seu nome, ele vai mandar um “primo (a)”. De uma coisa pode ter certeza: você voltar.

4 – Apelido

Sem essa de bullyng! Lá em Aracati, e não é de hoje, desde a época de Castorina Pinto, que é assim: todo mundo tem apelido. A fama de Castorina se perpetua.

5 – Nomes de ruas

São poucas as ruas da cidade que são conhecidas pelos próprios nomes. Nem a mais famosa delas escapa. A rua Coronel Alexanzito é popularmente chamada Rua Grande.

6 – Fé

A padroeira da cidade é Nossa Senhora do Rosário, mas a maior festa religiosa da cidade é 20 de janeiro, dia de São Sebastião. Nesse período, um parque de diversão, cuja propaganda sempre é maior do que a realidade, se instalava na cidade. Ali, era hora e lugar para se ‘arrumar’ (namorar). Um cacho de pitomba era quase um quite obrigatório de quem ia à Coréia (nome dado ao parque).

7 – Via Litorânea

Domingo é dia de praia. No meu tempo, já era um avanço se comparado a anos anteriores, a empresa de ônibus, Via Litorânea, era a única que fazia o itinerário Aracati – Majorlândia – Quixaba. O bagageiro era mínimo. Com isso, era comum sentar ao lado de uma caixa de peixe; quando você tinha a sorte de ir sentado. Nunca desci pela porta de trás, mas uma boa tática de não pagar passagem é mostra uma nota de R$ 50,00. Quase nunca o tinha troco e caia no esquecimento do trocador.

8 –   Beco do Museu

Perna cabeluda, loira do banheiro, nada me assustava mais do que o ‘Beco do Museu’. A ruela que liga duas vias importantes se fechava a meia noite em ponto. Seja lá onde estivesse, voltava antes do horário mal assombrado.

9 – BRO – bros

Uma caixa de som sem equalização alguma na entrada do Xepão anunciava as promoções de fim de ano. Na verdade, a partir de setembro começa o queima. Minha mãe, como várias outras, aproveitava pra renovar o estoque de cuecas e meias. De vez em quando, ganhava uma camisa ou calção, às vezes os dois. Só às vezes.

10 – Pitu

Infância no interior o que mais se faz é brincar. Sabe esconde-esconde? A gente brincava, mas valia por toda a cidade. Exatamente. Você poderia se esconder em qualquer lugar da cidade. Várias vezes, ‘me escondia’ na minha cama. Corria pra casa e dormia.

11 – Carnaval

Para os aracatienses, carnaval transcende à festa atrás dos trios. Mesmo quem não sabe dançar (eu), mesmo que tenha agorafobia (minha mãe) todos nós amamos carnaval. Gostamos tanto que na manhã de quarta-feira de cinzas, reservamos forças para sair no Bloco dos Loucos, na Praça da Coluna.


Vento Aracati: um doce sopro de Deus no Sertão




Na literatura, na música, na história, na pintura, no cinema e mais recentemente nos laboratórios de pesquisa, um afeto cearense que já ganhou a eternidade

É fim de tarde no sertão cearense. O crepúsculo, que mais uma vez foi antecedido por um dia de altas temperaturas e da dura lida, traz consigo um curioso evento. Uma a uma, as cadeiras coloridas vão ocupando as calçadas da vizinhança. Sorrisos amigos, olhares que abraçam e uma prosa daquelas que te faz perder a hora compõem o cenário.

Mais à diante, crianças brincam. É como se o tempo não tivesse passado. Escravos de Jó, amarelinha, bila… Àquela altura, a inocência dos pequenos e o brilho no olhar, que apenas a simplicidade das pequenas felicidades pode proporcionar, só se deixam interromper pelo cheiro forte do café fresquinho que invade a rua. Cessa a brincadeira, é hora da merenda. E vem em boa hora, afinal não dá para sujar a roupa de usar “à noitinha” antes da hora do jornal.

E continua. Mais brincadeiras, mais conversas e ao fundo uma trilha sonora das mais curiosas. Como não se encantar pelo sutil ranger das cadeiras de balanço? No entrelaçar das tiras de plástico – macarrão, para quem é entendedor dos seus processos de fabricação -, a passagem perfeita para o amigo de todas as tardes que logo chega. Assim como quem mora ali, seu movimento de balanço não se deixa enganar por outros ventos.

Calçadas totalmente ocupadas. E o barulho que vem de longe, crescendo a cada instante justifica aquela espécie de cerimonial. O convidado é um forasteiro que vem do mar, desbravando o Vale do Jaguaribe, invadindo casas, levantando saias e abrandando almas.

O visitante é um recado de Deus, lembrando que o sertão, mesmo em toda sua agonia, não foi esquecido. A mãe natureza, sábia que só ela, sopra continente adentro e com a pontualidade de um gentleman inglês. Ele chega bagunçando tudo, reduzindo as temperaturas e aquecendo os corações.

O mesmo doce que embebeu-se nos lábios de mel da virgem índia do romance de José de Alencar e que fez voar seus cabelos negros, como graúna, torna a voltar. Assim como na história de amor de Iracema e Martin, ele ainda derrama deliciosa frescura no ar e causa um inconfundível arrepio.

São alguns instantes que ao longo do tempo têm sido relatados pela literatura, pela música e eternizado pela pintura. Um fenômeno que, de uns tempos para cá, vem sendo alvo de estudos constantes da ciência – da física, mais especificamente. A conclusão das pesquisas comprova, até aqui, o que o imaginário do povo sertanejo já sabia: uma brisa marítima segue rumo ao continente nos fins das tardes da época mais quente do ano. No meio do caminho encontra o comparsa perfeito e, canalizado pelo Rio Jaguaribe, corta o Sertão do Ceará, levando conforto térmico para o povo do Sertão. Esse vento é um daqueles que tem nome. E se chama Aracati.

De Aracati ao Icó

É nos povoados mais afastados das áreas urbanas e na boca de quem já ostenta cabelos brancos e riscos de sabedoria no rosto que o Aracati faz fama. Generoso, o vento emprestou seu nome para a cidade em que começa sua jornada. Por lá, ainda hoje há quem espere pelo refresco vespertino que só ele traz, assim como no cenário retratado pelo pintor cearense do século XIX José Reis Carvalho na tela “Moinho de Vento do Aracati”.

Moinhos são, por sinal, a especialidade da cidade homônima que aprendeu a extrair o potencial eólico da brisa e dos bons ventos da região, ora com bravios como o revolucionário Dragão do Mar, ora lembrando o abraço brando da atuação de Emiliano Queiroz, ambos filhos da terra.

A viagem pelo Vale do Jaguaribe continua e, com velocidades que chegam a atingir 5 metros por segundo (m/s), o Aracati chega à Jaguaruana em tempo de ver as últimas redes serem tecidas pelas fábricas da região, especializada na produção do artigo. Depois, conduzido pelo Riacho Araibu, afluente do Rio Jaguaribe, o ventinho encontra o solo fértil e a gente trabalhadora que fez nascer a “Laranja de Russas”, variedade típica da cidade cearense que adjetiva a fruta.

Os rápidos momentos em que passa por cada cidade da região parecem uma eternidade para quem se acostumou a aguardá-lo. O sol já está perto de se pôr quando o barulho da rajada anuncia que o Aracati chegou à Limoeiro do Norte. O vento faz girar os pneus das “magrelas” estacionadas na cidade conhecida como “Terra das Bicicletas” e, quando se dá fé, ele já passou, descendo para Tabuleiro do Norte. Dali para Jaguaribe é um pulo. Cortada pelo rio comparsa nas andanças, a cidade é agraciada pela aragem quando o céu já anuncia a noite.

No decorrer das horas, o Vento Aracati passeia por outras cidades da região, como Itaiçaba, São João do Jaguaribe, Alto Santo, Jaguaribara, Orós e Iguatu. São ao todo 300 quilômetros percorridos até que, antes das nove da noite, vai bater em Icó. A cidade foi o último lugar em que vestígios da brisa foram encontrados pelos estudiosos da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Depois desse ponto pouco se sabe.
A Ciência procura mais informações sobre o fenômeno e o objetivo é nobre: explorar seu potencial eólico. Na literatura, além do romance alencarino, a escritora Raquel de Queiroz reservou umas palavras de suas 100 crônicas escolhidas para falar do Aracati. A brisa também já foi musicada pelos compositores Eugênio Leandro e Oswaldo Barroso e catalogada nos estudos daquele que talvez seja o maior historiador do Ceará, Raimundo Girão.

Dito isto, este texto termina como o próprio Aracati: se dissipando aos poucos, deixando um pouco de ternura pelas cidades que corta e sobretudo a definição mais afetiva, aquela que vem do imaginário de quem só tem a fé para se apegar, com a certeza de que amanhã é um novo dia para colocar a cadeira na calçada e esperar por mais um sopro de Deus enquanto a chuva não vem.

* Esse texto foi construído tendo como base as pesquisas dos professores Bosco Leal Júnior – diretor do Laboratório Integrado de Micrometeorologia (LIMMA) da Universidade Estadual do Ceará (UECE) – e Henrique Camelo, estudioso que escreveu uma dissertação de mestrado sobre o tema. Nas pesquisas também contamos com a ajuda da Mirada Filmes, na pessoa de Aline Portugal, que gentilmente nos cedeu o documentário “Aracati”, ainda a ser lançado.




10 coisas que só quem mora ou morou em Beberibe já fez




1-   Brincou no mela-mela

No carvaval de Beberibe não pode faltar o bom e velho mela-mela. Você entra limpinho, mas com tantos ingredientes usados pelo pessoal você pode sair com um bolo, uma tapioca… em alguma parte do seu corpo.

2-   Brigou por causa de política

Política aqui é como jogo de futebol, cada um escolhe seu lado e briga mesmo de ficar até de mal, mas há uma peculiaridade: caso o seu “time” perca você pode virar a casaca e tudo bem.

3-   Comprou roupas para festas de padroeiros

Nas festas dos padroeiros as pessoas compram as melhores roupas! É o grande momento de mostrar devoção e os muitos modelitos de arrasar.

4-   Ir ao parque depois das missas

Quem não ia a missa rezando pra acabar logo pra poder ir brincar nos parques? Ainda hoje, depois das missas na festa da Sagrada Família no centro de Beberibe, as pessoas saem correndo pra pegar a fila do carrinho bate-bate e fazer a revanche com aquela pessoa que bateu no seu carro.

5-   Já falou que vai pra Beberibe

“Ei, tu vai pra onde? Vou pra Beberibe.” Não se espante se ouvir alguém falar isso pela cidade. Beberibe é um município muito grande, então os moradores dos distritos têm esse costume de citar o centro da cidade como o nome do município. É estranho pros de fora, mas pra quem mora aqui estranho seria se não fosse assim.

6-   Já foi na Vaquejadas de Alexandre

Era um dia pra tirar a barriga da miséria, dançar no barro, andar a cavalo, arrumar um broto e beber tanto de voltar melado pra casa. Segundo os mais antigos, esse é que era um tempo bom!

7-   Já foi em uma regata

Numa cidade praiana não poderia faltar uma regata! As jangadas dentro do mar apostando corrida e todo mundo na praia torcendo a espera do grande vencedor. E as regatas de jegue, então? Brincadeiras à parte, a regata é parte importante de nossa cultura.

8-   Já foi alvo de algum palhaço em um circo

Cidade de interior sempre vem um circo pra animar a galera. Mas você  já entra procurando sentar o mais longe possível do picadeiro, porque sabe que se um dos personagens gostar de você, a piada com certeza já tem alvo certo.

9-   Fez farinhadas

Espreme, descasca, rala mandioca. É uma fartura! E o pessoal mais come do que faz a farinha. No final da farinhada tem até o beiju do pau: bota o beiju na mesa e todo mundo dá de pau.

10-               Já ouviu música no meio dá rua

As ruas de Beberibe têm sua própria trilha sonora. A rádio comunitária aqui é no meio da rua com várias caixinhas espalhadas pelo centro da cidade. Você pode ouvir aquela música do Safadão enquanto vai até o mercadinho ou até mesmo se declarar publicamente para o seu esqueminha.


Um asfalto, um semáforo e várias lembranças de Aquiraz



Sinais da cidade

Começaram pintando as ruas de preto, cobrindo a velha pedra tosca por um asfalto magro e sem tantos caprichos. Na minha rua não foi diferente. Dia desses estava lá a máquina amarela descansando o trabalho da madrugada. Mas retomariam o serviço em breve e ela voltaria a fazer aquele barulho chato. Foi ali, vendo a rua onde cresci ser asfaltada, que percebi: “Aquiraz está mudando”.

Pelo menos o açude, bem no meio de tudo, resiste. Aterraram uma parte para duplicar uma via, requalificaram os entornos, puseram grades e ele lá, resistindo! Colocaram uma fonte toda luminosa, talvez pra chamar atenção, mas não vingou. Mas o casal de peixes que colocaram por lá funcionou, apesar de quase não funcionar (um dos peixes vive se sufocando nas sujeiras que jogam no açude).

Se soubessem a alegria que é ver aquele açude cheio, sangrando pra um riachinho ao lado, depois de um toró de chuva. Aliás, acho que pode mudar o que for, chuva vai sempre trazer felicidade pra gente. Até porque toda esquina ainda conserva uma bica, embora agora a água corra livre. Não tem ninguém tomando banho, descalço, sentindo a força do fio caindo na cabeça.

A gente também não vê mais uma criança brincando, correndo, caindo. Não ralam mais os joelhos naquelas pedras. Não aproveitam mais os janeiros pra tirar pitomba a base da chinelada, correndo o risco de deixá-la enganchada no galho. A meninada toda se entretém de outras formas. E não julgo, de jeito nenhum!

Até confesso que o novo me interessa mais, mas, nesse caso, eu queria mesmo era a rua como antes. Com direito a topada, passo falso e poeira. Hoje o asfalto recém feito ainda gruda nos chinelos. Um negócio desses num pode ser bom! E, assim como na minha rua, o chão de toda cidade parecia vestir esse luto. Aqui e acolá via um reclamando, outro elogiando e eu, sinceramente, não sabia dizer ao certo o que sentir.

Esse, na verdade, foi o primeiro sinal, mas logo vieram outros. Colocaram, de fato, um sinal na entrada da cidade. Bem ali, ao lado da estátua de São José de Ribamar, o padroeiro, que antes recebia sozinho quem chegava. Há um tempo, antes mesmo dos primeiros sinais, alguém teve a ideia de colocar fotossensores em algumas vias do centro. Não teve serventia alguma, foram embora cedo. Mas não sei não, acho que voltam em breve.

Enquanto isso, dá pra ver resiliência em toda cidade. As festas religiosas da praça da Matriz ainda trazem aquele ar de cidadezinha pequena, as carroças lentas levando lenha ou o tanger do gado vez por outra ainda adubam o piso preto com as fezes dos animais, as conversas de calçada resistem à insegurança das ruas. Como eu disse, aqui e acolá a cidade vem-nos com outros sinais, mas esses não mudam de cor.


14 coisas que só quem é de Aquiraz já fez



Aquiraz é dessas cidades que ainda vivem feito um interior. Tem muita história e tradição morando nos detalhes, seja na arquitetura ou nos hábitos da população. A cidade guarda ainda um título importante: primeira capital do Ceará. Desses tempos pra cá, cresceu quase nada. Algumas coisas ainda resistem. A lembrança e os costumes são exemplos, por isso todo morador de Aquiraz…

1 – Já comprou a famosa “fofa” da Talia 

De longe a gente já escutava os gritos que se aproximavam a cada pedalar. “Olha a fooofaaaa!” Talia vendia fofa pela cidade montada em sua bicicleta. Aposentou-se da profissão já tem um tempo. Pra quem não conhece, a iguaria é uma espécie de rosca de goma, vendida em bando, amarrada com umas palhinhas secas. O negócio é bom!

2 – Foi pra uma tertúlia no Laís Sídrim

A vida noturna do aquirazense já foi agitadíssima com as tertúlias no Laís Sidrim. No local funcionava (e ainda funciona!) uma escola durante o dia e à noite o espaço era dominado pelo batidão da jovem guarda.

3 – Teve aula de reforço com a Benilda

É na varanda de casa mesmo que repassa os conhecimentos que tem. Nos três turnos, Benilda sentada na cadeira de balanço, ensina matemática, português e, vez por outra, ensina a viver. Sem esquecer a paixão pelo cantor Leonardo. No quarto guarda posteres, VHS, CDs e DVDs do artista.

4 – Usa roupa nova na Festa de São Sebastião

Todo janeiro uma roupa nova tem que estar preparada no guarda-roupas pra ser “inaugurada” na tradicional Festa de São Sebastião. Uma semana de festejos religiosos na cidade. Época de ouvir os gritos esgoelados do povo que se arrisca no parque de diversões e de encher o bucho com vatapá e paçoca nas barraquinhas de comida na praça.

5 – Troca o nome do estabelecimento pelo nome do dono

Se alguém perguntar onde fica a Banca Pinto Câmara quase ninguém vai indicar uma localização. Agora pergunte onde fica a Banca da Laurenir! Por aqui é costume esquecer o verdadeiro nome do comércio e atribuir o nome do proprietário. Farmácia do Reginaldo e Salão da Lidinha são alguns exemplos.

6 – Comia Batatinha no Nelson depois da missa 

Após o “Amém” e do “que Deus vos acompanhe” era certeiro comer aquela batatinha frita no Nelson. Aos mais lisos, restava comprar a oferta do saquinho de papel com um pingado de batatinhas. A ostentação era ter o pratinho de papelão entupido de batata, maionese e catchup.

7 – Escutou a frase “Tu não mora, se esconde!” 

Mesmo distante apenas uns 30 km da capital e aproximadamente uma hora de viagem, quem escuta um “Moro no Aquiraz” já responde com o típico “Tu não mora, se esconde!”Já ouvi demais…

8 – Pegou um São Benedito pra ir ao Centro 

Nem um ser vivo dessa primeira capital já escapou da sina de um ônibus da São Benedito lotado. Na rodoviária nem precisa esperar o ônibus parar e o trocador gritar “Fortaleza, Fortaleza, bora!?” que todo mundo já tem entrado e caçado uma vaga pra sentar. A viagem, querendo ou não, é longa. E quando passa no Eusébio então? Tome tempo!

9 – Assiste o desfile do dia 7 de setembro no sol quente 

Todas as escolas da cidade fazem o tradicional desfile da independência pelas ruas principais. Aí o povo todo vai ver as crianças miudinhas fantasiadas e sofrendo no sol de 11h. Os jovens também desfilam, mas pra ganhar o famoso “um ponto na média” na escola.

10 – Fica se gabando por morar perto da praia 

Não é por menos, vai! Iguape, Prainha, Japão, Porto das Dunas, Batoque, Caponga, Barro Preto… É tudo do nosso litoral! Basta pegar uma topic e em 10 minutos sentir a brisa do mar. Desculpa aí, viu?

11 – Conhece o Pneu

O Pneu é dessas personalidades que a cidade toda sabe quem é e já viu perambulando por aí, cantando alguma música do Bartô Galeno ou Reginaldo Rossi. Aliás, o cara já gravou até um cd! “O Pneu do Brega”. Não tem no Spotify. Ainda!

12 – Já foi pra uma seresta do Carlão 

Falando em música é impossível não lembrar dele. O seresteiro mais requisitado da cidade: Carlão! No esquema de voz, violão e teclado, ele canta de tudo um pouco: forró, brega, sertanejo, soul, samba. O cabra é bom!

13 – Sabe o que é “Pau Pombo”, “Patacas”, “Machuca” e “Gruta” 

Esses nomes, aparentemente estranhos, até parecem gírias, mas são apenas nomes de bairros de Aquiraz. Morar no Pau Pombo ou na Gruta não tem nada demais, hein?

14 – Confunde o gentílico da cidade

Tem gente que diz aquirazense, enquanto outros engolem o “z” e falam aquiraense. O IBGE diz aquirazense. Eu prefiro a confusão.


quarta-feira, 15 de março de 2017

Cascavel receberá corrida de jumentos, para conscientizar sobre abandono de animais

O objetivo do evento é valorizar o animal, tradicional no Nordeste, que está sofrendo com o abandono
Os jumentos estão sofrendo com o abandono (FOTO: Divulgação)
Acontecerá no dia 15 de abril a 3ª Festa do Jumento Beneficente em Boa Água, localidade de Cascavel. O evento tem o objetivo para estimular e conscientizar a população sobre o respeito que deve ser dado ao animal.

De acordo com os organizadores, o jumento faz parte da história do povo do sertão, e infelizmente muitos deles vêm sendo abandonados e agora passam a conviver nas margens de rodovias, causando vários acidentes.

A festa é beneficente e todo o dinheiro, alimentos, ou outros tipos de arrecadação serão revertidos para ajudar as famílias carentes e instituições do município de Cascavel.

Durante o evento também acontecerá a corrida dos jumentos, que será de 100 metros. Contudo, não será utilizado o uso de chicotes na corrida. As provas serão divididas em eliminatórias e classificatórias. Os prêmios somados chegam a R$ 1.000 e serão divididos entre os 3 primeiros colocados.







terça-feira, 14 de março de 2017

4 anos sem Marconi Coelho Reis

“Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos” (Bob Marley)
No dia 13 de março de 2013, 4 anos atrás, faleceu o Professor Marconi Coelho Reis, em sua residência, em Cascavel.

Biografia:


Marconi Coelho Reis, nascido aos 06 de novembro de 1963, em Cascavel, passou sua infância e adolescência na localidade de Capim de Roça. De família humilde, o professor nunca se contentou com a vida do campo e partiu para estudar e trabalhar em Cascavel. No Colégio Padre Valdevino Nogueira - CNEC iniciou sua vida docente. Na mesma época ingressou na Universidade Federal do Ceará-UFC, no curso de Licenciatura em História. Excelente profissional, também lecionou em Cascavel, nas seguintes escolas: Colégio Cascavelense-CC; Patronato Juvenal de Carvalho e Padre Arimatéia Diniz. Em Beberibe, trabalhou como professor e Coordenador do Colégio Vicente Dourado, onde desenvolveu um excelente trabalho pedagógico, porém sua maior paixão era a sala de aula, viajar pelos fatos históricos, fazer com que seus alunos entendessem que o presente dependeria do que foi feito no passado.

Ingressou como professor temporário na EEFM Custódio da Silva Lemos, em 2003, na qual se efetivou no concurso público do estado do Ceará no ano de 2009 e permaneceu até a data de seu falecimento. Concomitantemente com as atividades na Custódio da Silva Lemos, o professor também ministrava aulas da Universidade Estadual Vale do Acaraú – Uva, polo de Cascavel , local onde seu corpo foi velado.

Em sala de aula, aquele homem franzino se transformava em um gigante. Suas aulas eram movidas a emoção, questionamentos, discussões. Um detalhe importante foi o fato de boa parte de seus colegas de trabalho ter sido seus alunos na adolescência, isso mexeu muito com todos nós, profissionais da educação, pois conhecimentos o historiador em sala de aula e o amigo nas reuniões pedagógicas e horário de intervalo. Sempre preocupado com a educação dos jovens, o professor Marconi motivava a todos a prosseguirem seus estudos, para com isso transformaram a realidade local de suas comunidades. Seu sonho mais recente era ser Mestre, e já cursando pós-graduação em Metodologia de Ensino na UECE, dando assim o primeiro passo para sua realização.


Fonte da Fundamentação Teórica da Matéria: https://www2.al.ce.gov.br/legislativo/tramit2016/pl229_16.htm

Fotos: Facebook