quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Pindoretama: Museu Dim Brinquedim – Às vezes a gente volta a ser criança

MURO DO MUSEU DIM BRINQUEDIM
O estilo de Peter Pan é a aventura. Nunca, jamais crescer. Brincar, lutar e viver heróicamente! São Francisco é despojado. Ama animais e anda descalço. Vinicius é todo poesia até quando escreve para crianças. Um poeta muito apaixonado. A xuxa é vapt vupt. Sem meios caminhos. E o Dim, é brinquedim.

O sitio museu do Dim na Estrada da Coluna em Pindoretama, Ceará, é um mundo de fantasia do menino da cidade pequena. De menino que correu descalço na Praça da Matriz, que jogou bola na areia e que subiu e caiu de um pé de siriguela. De um menino que nunca ficou adulto, mas que cresceu como pintor, escultor, pesquisador e produtor de umas das obras artísticas mais singulares do Brasil.

Na chegada ao museu a gente vê uma dúzia de pares de olhos redondos que observam a estrada a partir do muro. Olhares curiosos de olhos bem abertos. Pretos. Olhares de índios, portugueses, negros, amarelos, vermelhos, brancos, roseos. Mas olhares de menino. De quem vê tudo pela primeira vez, e vê tudo lindo.

Cruzo o portão. Há três bonecos gigantes a nos receber. Braços levantados em alegria e suspensórios segurando largas calças coloridas. Os olhos, entretanto, já trazem um pouco de nostalgia. Meio perdidos no espaço. Mas os gestos, as cores, a alegria, nos ilumina.

O Sitio não é muito grande para quem mora em uma fazenda. Mas é gigante para quem mora em um apartamento de cento e dezesseis metros quadrados. A casa é ampla. Toda pintada. Limpa. Há peças coloridas em todos os lugares. Dim vem construindo sua casa museu há dez anos. Nela junta a memória de tudo que produziu ao longo de sua carreira, peças antigas que recolheu pelo mundo, maquetes, projetos novos e antigos, peças e pinturas novas.

QUADRO NO MUSEU DIM BRINQUEDIM – ACRÍLICO SOBRE TELA
Dois bonecos gigantes com câmeras de cinema nas mãos estão expostos na varanda. Lembro da primeira que os vi. Foi no VI Festival de Cinema de Fortaleza, em frente ao Cine São Luiz, na Praça do Ferreira. Fiquei impressionado. Eram lindos. Coloridos. Gigantes. Simpáticos. Depois os vi no Dragão do Mar, ímpavidos personagens nas fotos dos visitantes de nosso templo da cultura. Hoje me reencontro com estes dois velhos amigos e vejo que eles continuam me encantando.

Dim me mostra uma peça pintada em 3D. A dimensão da pintura plana e libélulas gigantes planando sobre o substrato super colorido. Me diz que vai fazer aquilo grande, no sítio. Há também quadros incríveis em todas as paredes. Olho as telas e entendo que fosse ele somente um pintor, já seria um dos grandes. Em cada tela há uma visão infantil que se esmaeceu ao longo de minha transformação em gente grande, um brilho de cores que vibram como quando descobri o gosto de doce de burití, uma alegria como a que tive em meu primeiro beijo de verdade.

Há ainda máquinas de brinquedo. Manivelas que movem asas de borboletas e círculos de cavalinhos, e dezenas de bonecos carecas, gordinhos, coloridos e pequenininhos que ele vende aos visitantes. Forma de vender um pequeno pedaço de sua arte a preços que qualquer um pode comprar.

Saímos da casa e ele me mostra uma piscina. Minúscula para quem tem o mar, gigante para quem não tem nem banheira. Mostra um cavalo marinho que está preparando para colocar na beira da piscina. Pura e sólida fantasia. Mostra o ateliê onde pesquisa e constrói e os banheiros imaculadamente limpos à disposição dos visitantes que veem do todo o país.

À saida, vizinho ao um gato de fibra-de-vidro imenso, está nos aguardando toda a família de artistas. A mulher, ela mesma personagem do sonho de Dim, é companheira de luta há quinze anos. Hoje é mãe de uma menina e um menino. Reproduções fiéis da mãe em tamanhos diferentes. Além deles há ainda um saci pererê escondido no meio das árvores, três joaninhas gigantes arrumadas em um jardim, (pequeno para quem conhece as Tulherias, mas gigante para quem tem apenas um jarro na janela), um escorregador que sai a boca de um boneco e uma libélula em tamanho extra, pendurada em numa árvore.

Agora no carro, ando na estrada nova da Coluna que une a BR-116 à CE-04, grande obra de engenharia, obra viária necessária ao desenvolvimento do Ceará. E penso com meus botões e não posso deixar de sorrir por entre os lábios. A obra já valeria a pena só pelo museu do Dim Brinquedim.



Museu Dim Brinquedim
Estrada da Coluna, Pindoretama - CE.




Nenhum comentário:

Postar um comentário