quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Icapuí: Agrícola Famosa compra terras fora do Estado

Empresa revela apenas que suas novas áreas ficam a mais de 400 Km do Porto do Pecém e têm água no subsolo

O diretor comercial empresa cearense tem hoje dez reuniões com importadores europeus no espaço de sua empresa no estande do Brasil, na Fruit Logistic


Berlim (Alemanha). Prevenindo-se contra o pior - que seria mais um ano de seca no Ceará, onde tem fazendas de produção em Icapuí -, a Agrícola Famosa, maior produtora e exportadora brasileira de melão, já comprou, em outros estados, novas áreas de terras com disponibilidade de água na superfície e no subsolo. Todas elas serão usadas na produção de melão.


O sócio e diretor comercial da empresa, Carlo Porro, disse ontem, ao Diário do Nordeste que jamais viu o mercado mundial de frutas com cenário tão favorável, "a começar pelo preço, passando pelo câmbio, porém o sinal de mais um ano de seca no Ceará nos causa dor de cabeça".


Porro está aqui com seu sócio, Luiz Roberto Barcelos, diretor de produção, e mais oito executivos da empresa. Eles participam da Fruit Logística - maior feira de frutas do mundo, que pela 23ª vez se realiza no Messe Berlim, o centro de eventos da capital alemã. Na opinião de Carlo Porro, a possibilidade de ser agravada a crise de oferta de água no Ceará deixa-o muito preocupado.


Racionamento


O próprio governo cearense já anunciou sua decisão no sentido de restringir a oferta hídrica, e uma de suas medidas já adotadas restringiu a vazão do Eixão das Águas (que abastece Fortaleza e sua Região Metropolitana) e das válvulas dispersoras dos açudes Orós, Castanhão e Banabuiú, o que já repercutiu diretamente na produção agrícola.


"É por estes motivos que decidimos buscar novas áreas em outros estados. Já compramos duas fazendas em regiões diferentes, distantes mais de 400 quilômetros do porto do Pecém, e nelas plantaremos a próxima safra de melão", disse o diretor comercial da Agrícola Famosa, que tem hoje agendada uma dezena de reuniões com importadores europeus. Essas reuniões serão realizadas no espaço de sua empresa no estande do Brasil, na Fruit Logistic.


Segundo ainda Carlo Porro, o mercado europeu de frutas brasileiras, como o melão, está muito favorável. "O dólar deu uma boa subida, o preço das frutas na Europa também melhorou, temos boa logística de transporte e uma rede fiel de grandes clientes; o que nos causa preocupação mesmo é a questão da água, e foi por este motivo que decidimos ampliar nossa área cultivada para outros estados", explicou Porro.


Prevenção


Por sua vez, o empresário Edson Brok, sócio e diretor da Tropical Nordeste, que produz e exporta banana nanica em 300 hectares na Chapada da Ibiapaba, vê o mesmo problema com outra perspectiva. Ele entende que o governo do Estado trabalha no sentido de evitar o menor prejuízo possível à fruticultura, mesmo com a restrição da oferta de água para o setor.


Brok reconhece que o problema é causado pela natureza e não por algum erro de gestão ou de falta de investimento do governo e que o sistema de açudes do Ceará tem garantido, até aqui, o abastecimento humano e a produção industrial e agropecuária no Estado.


Edson Brok - que também é sócio e diretor da Brok Logística e Brokfresh Exportadora - concorda com Carlo Porro na análise do mercado mundial de frutas, que está com tudo a favor.


"Para nós, produtores e exportadores de frutas no Ceará, falta só a ajuda da natureza", afirma o empresário.


Egídio Serpa*
Colunista
(*) O colunista viajou a Berlim a convite do Sebrae e da Abrafrutas.





Fonte: Negócios – Diário do Nordeste (04/ 02/ 15)

Nenhum comentário:

Postar um comentário